Faz 36 anos que o Hóquei em Patins do Sporting se tornou na primeira equipa portuguesa a conquistar a Taça dos Campeões Europeus.
Campeões Europeus de Hóquei em Patins - 1977 - O Percurso até à Final
Na década de 1970 o Sporting Clube de Portugal desenvolveu de uma forma consistente e consolidada a sua Secção de Hóquei em Patins e acabou por juntar na mesma equipa os melhores jogadores portugueses de então. Essa ficaria para a história como sendo a "Equipa Maravilha do Hóquei em Patins" e até aos dias de hoje não mais em parte alguma do mundo tão bons jogadores se juntaram numa mesma equipa de Hóquei.
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| Primeiro obstáculo o Montreux |
O desenvolvimento da Secção começou por dar muitos e bons frutos a nível
interno, ganhando o Sporting tudo o que havia para ganhar, mas, e há
sempre um mas, contra tão vasto palmarés nacional, contrastava um
palmarés internacional absolutamente inexistente, não só do Sporting mas
também de Portugal, pois nunca uma equipa de um clube português tinha
vencido uma competição europeia de Hóquei.
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| A piscina de Voltregá |
A Taça dos Campeões Europeus de Hóquei Patins teve a sua primeira edição
na época de 1965/66 e nas onze primeiras edições apenas equipas
espanholas tinham vencido. Competia pois ao Sporting afrontar os grandes
dominadores da modalidade na Europa, que eram as equipas do Réus, do
Barcelona e do Voltregá.
Em 1977 o Sporting treinado por Torcato
Ferreira e tendo por plantel: Ramalhete (gr), Júlio Rendeiro, Sobrinho,
Chana, António Livramento, Jorge Costa, Carlos Alberto, Garrido,
Carmelino (gr) e José Manuel Paiva (gr), cumpriu na plenitude esse
desígnio, que mais que um desígnio do Clube, era um desígnio Nacional.
Na
primeira eliminatória (1/4 Final) coube em sorte ao Sporting a equipa
suíça do Montreux, terra de fortes tradições no Hóquei. Porém o Montreux
pouco pôde fazer contra o gigante que lhe foi posto à frente e o
Sporting venceu claramente por 18 - 1 na primeira mão e por 11 - 3 na
segunda.
Na segunda eliminatória (1/2 Final) foi o Sporting que
foi posto perante um gigante, o Voltregá, que era "apenas" o primeiro
clube a ter vencido a competição e os Bi-Campeões Europeus em título.
As
coisas iriam pois aquecer, ou arrefecer, pois a primeira mão foi
disputada em Espanha num recinto descoberto e debaixo de chuva intensa,
não estando os nossos jogadores habituados a tais condições acabou por
ser natural que o Voltregá tivesse ganho por 5 - 2.
Parecia que
ainda não seria desta vez que o desígnio iria ser cumprido, mas na
segunda mão tudo mudou e os espanhóis aprenderam duas coisas.
A
primeira foi em que tipo de recintos se deve jogar Hóquei ao mais alto
nível e a segunda foi uma lição, que ficou na memória de todos, de como
se joga Hóquei, aliás o filme desse jogo poderia servir perfeitamente
para se ensinar a modalidade em qualquer parte do mundo, numa palavra
foi um recital! O Sporting ganhou por 8-3 e acedeu à final com um
resultado total de 10 - 8.
A Final
A final, tal qual as eliminatórias, também seria disputada a duas
mãos e por adversários o Sporting teria outra equipa espanhola, o
Villanueva.
As coisas ficaram aparentemente decididas, na
primeira mão, pois a vitória do Sporting foi esmagadora e o lendário
guardião do Villanueva e da Selecção de Espanha, Carlos Trullols, teve
de ir seis vezes buscar a bola ao fundo da sua baliza, resultado final 6
- 0.
Ficou célebre uma afirmação deste grande guarda-redes:"Sofri seis golos e fiz uma das melhores exibições da minha vida!"
Mas,
e há sempre um mas, cabia agora ao Sporting ir a Espanha, e na memória
de todos ainda estava bem fresca a derrota com o Voltregá.
No entanto, a 18 de Junho de 1977, no recinto do Villanueva o Sporting voltou a vencer e a convencer ao ganhar por 6 - 3.
O desígnio estava finalmente cumprido e o Sporting era Campeão Europeu de Hóquei Patins!
O
Sporting tornava-se deste modo na primeira equipa portuguesa a vencer
uma competição europeia de Hóquei em Patins, abrindo assim caminho às
outras equipas portuguesas num feudo que até então tinha sido do país
vizinho!
Como não podia deixar de ser, os campeões foram
recebidos em festa à chegada a Lisboa e conduzidos num ambiente de
perfeita euforia e paixão em cortejo triunfal para o Estádio José
Alvalade.
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